marți, noiembrie 01, 2005

"Patrões do têxtil espanhóis ponderam processar Bruxelas"

"A Fedecom, associação patronal do têxtil de Espanha, está a ponderar a possibilidade de processar Bruxelas por causa da revisão do acordo com a China, de limitação das quotas de produtos que podem ser importados para a União Europeia (UE). A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) também pode vir a seguir os passos da sua congénere espanhola, embora aguarde o desfecho da análise aos dados relativos às importações que a Euratex (organização do aparelho têxtil europeu) está a efectuar.
Em declarações ao PÚBLICO, Paulo Nunes de Almeida, presidente da ATP, disse não colocar essa hipótese de lado, embora prefira que a iniciativa parta da Euratex, 'por ser uma questão delicada e de difícil resposta'. 'Essa notícia significa apenas que há mais associações com intenção de mover processos contra a UE e, nesse caso, podemos avançar', adiantou.
Paulo Nunes de Almeida recordou ainda que a questão dos prejuízos causados à indústria europeia, devido ao crescimento das importações de têxteis chineses foi levada junto da Euratex há vários meses. Porém, ainda não há resultados conhecidos da averiguação.
Depois da abolição do sistema de quotas, em Janeiro, várias associações europeias pediram à Comissão Europeia que aplicasse cláusulas de salvaguarda, de modo a evitar distorções no mercado. A 10 de Junho, a União Europeia e a China firmaram um acordo, que na prática condicionava a entrada de 11 categorias de produtos. Dois meses mais tarde, as quotas para o ano inteiro já haviam sido ultrapassadas, dando-se então a pequena crise que congelou nos portos europeus cerca de 80 milhões de peças.

Prejuízos avaliados
Foi durante esse tempo que o descontentamento das associações subiu de tom, uma vez que Bruxelas ampliou a quota de 2005 em mais 40 milhões de peças e outro tanto por conta da quota de 2006. Agora, avaliados os prejuízos para a indústria espanhola, os patrões ponderam a possibilidade de accionar judicialmente Bruxelas.
Uma fonte da Fedecom, citada pela publicação Cinco Días, disse que basta haver '50 por cento de possibilidade de que seja admitido o processo' e será iniciada a 'batalha, alegando danos e prejuízos à indústria pela entrada ilegal de sete milhões de peças [em Espanha] adicionais'.
No sentido de minimizar os prejuízos que estão a sofrer, os patrões espanhóis do sector têxtil deverão iniciar em breve rondas de conversações com os trabalhadores, no sentido de flexibilizar os efectivos, sem que haja perda de direitos laborais.
Ao mesmo tempo, segundo foi anunciado, vão requerer planos nacionais de recolocação, que incluam incentivos para as empresas que contratem trabalhadores da indústria têxtil.
Nos últimos cinco anos, Portugal perdeu cerca de 80 mil trabalhadores na indústria têxtil, segundo a ATP. Actualmente, há cerca de 190 mil funcionários e estima-se que este número baixe, embora não haja previsões de números. Em Espanha, só no último ano, foram 20 mil postos de trabalho directo que se perderam no sector. Até 2010, mais 115 mil serão extintos - hoje em dia, são 215 mil os trabalhadores no têxtil. A produção espanhola descerá 40 por cento nos próximos cinco anos." (Mário Barros - Público, 01/11/2005)

Niciun comentariu: